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Arena Debate 44: É a vez de J.B. Mauney?

A PBR ENCERROU SUA TEMPORADA REGULAR E DEFINIU SEUS CLASSIFICADOS PARA A PBR WORLD FINALS 2013 E OS COLUNISTAS ABNER HENRIQUE E EUGÊNIO JOSÉ FAZEM UM BALANÇO DO ÚLTIMO FIM DE SEMANA, DESTACANDO SUAS PREVISÕES PARA LAS VEGAS

As vésperas da Final Mundial da PBR os colunistas Abner Henrique e Eugênio José falam sobre as chances do único americano que briga diretamente pelo título, a expectativa sobre os brasileiros, o desempenho dos touros na etapa desta semana e muito mais

Abner Henrique: Em julho, após vencer o Calgary Stampede, J.B. Mauney declarou que estava em uma nova fase de sua carreira e que se sentia bem fisicamente e psicologicamente. Eu confesso que não levei muita fé, porque apesar de todo o talento, Mauney sempre gostou de “brincar” com a sorte. Mas em agosto a PBR voltou de suas férias e apesar de escolher (ao meu ver) em hora errada Bushwacker e Asteroid, o que vimos realmente foi outro J.B. Mauney. Em nove etapas desde que a PBR retornou, ele chegou a final de oito etapas, tendo vencido cinco delas. De acordo com a PBR, este é um recorde histórico, pois nunca nenhum outro atleta teve uma sequência tão boa em nove etapas, incluindo as três vitórias consecutivas, que só Chris Shivers havia conseguido em 2000. Nesta segunda parte da temporada, Mauney não ficou no zero em nenhuma etapa e parou em 22 dos 36 touros que montou (61.11%). Silvano Alves, que raramente volta pra casa sem pontuar, somente neste período fez isso duas vezes e parou em 15 dos 28 touros que montou (53.57%). No confronto direto, J.B. Mauney foi melhor que Silvano em seis das nove etapas. Na pontuação, o americano somou 5.435,75 pontos, ou seja, mais de 55% dos pontos que ele conquistou na BFTS. Em contra-partida, Silvano Alves conquistou desde que a PBR retornou das férias, 3.108,00 pontos, o que significa 2.327,75 pontos a menos que Mauney e 182,25 pontos a menos que Guilherme Marchi, que foi o segundo que mais pontuou. Eugênio José, restam seis touros para conhecermos o Campeão Mundial de 2013 e a diferença entre os dois é de 538,50 pontos. A torcida brasileira pode e deve ficar com a pulga atrás da orelha, ou a fase de Mauney se encerra ao chegar em Las Vegas?

J.B. Mauney marcou 5.435,75 pontos (55% do seu total na BFTS) somente nos últimos nove eventos da temporada (Foto: Calgary Sun)

J.B. Mauney marcou 5.435,75 pontos (55% do seu total na BFTS) somente nos últimos nove eventos da temporada (Foto: Calgary Sun)

Eugênio José: Lembro o dia que vi J. B. Mauney montando em seu primeiro touro em Calgary, um touro preto. Pensei comigo não é o J. B. Mauney que eu conheço. Para quem não sabe sempre fui – até Calgary –  o maior crítico de J B. Embora, volta e meia ele volta a ser o homem velho ( sem juízo) que era, a fase é boa, os números mostram. Silvano Alves ainda é líder, e favorito. Muita gente duvidava, como eu, que J. B. pudesse chegar como chegou. Em finais como essa não há previsões, mas, podemos nos preocupar sim, Mauney, também, é candidato e forte ao título. Falando em título para o Brasil vamos enxergar a coisa da seguinte forma: Silvano Alves, João Ricardo, Guilherme Marchi e ainda Eduardo Aparecido, contra J. B. Mauney. Estamos bem, mas, a realidade americana é triste. Antes era um brasileiro contra um monte de Americano, nos dias atuais, a situação é extremamente inversa. Agora quero dar um notícia aos Brasileiros, O Título de Rookie Of The Year, já é nosso. João Ricardo está com ele quase nas mãos, matematicamente, Eduardo Aparecido, precisa vencer a final, e João Ricardo não ganhar nada, para o título mudar de mãos. Um título já temos. Os outros no resta esperar. Se vier, não será fácil.

AH: O J.B. Mauney se mostrou frio nas entrevistas, disse que vai a Las Vegas pra se divertir e não tem nada a perder. Se ele tá feliz pensando assim, bom pra ele (risos). Claro, ser frio ajuda e muito. Silvano Alves é frio e Mauney está usando a tática certa. Mas a pressão é inevitável. O público americano pode amar os brasileiros, mas eles estão com saudade de comemorar um título e nas redes sociais dá pra notar o quanto os americanos depositam suas fichas em J.B.. Mas você bem frisou, pra qualquer lado que ele olhar tem um brasileiro pressionando ele, que é o único americano com chances reais de título. A pressão por parte dele existe sim, ninguém chega tão perto, com tantas chances e fica feliz em não ganhar. Falando em brasileiros, João Ricardo Vieira além de estar com o título de Novato do Ano quase garantido, tem chances reais de ser o primeiro a conquistar o título mundial em seu ano de estréia. Mas pra mim, um título garantido mesmo para o Brasil, é o de “Melhor Volta por Cima” da temporada. Valdiron de Oliveira foi cortado da primeira divisão, levantou a cabeça, disputou o Touring Pro Division e voltou. Chega a Las Vegas na 15ª colocação e com chances reais de fechar no TOP 10. Eugênio José, são oito brasileiros entre os 15 melhores e extra-oficialmente 12 brasileiros classificados para a Final. Quem você destaca nesse time brasileiro que vai a Las Vegas e o que você espera deles?

Valdiron de Oliveira recuperou mais de 20 posições e chega a Final Mundial entre os 15 melhores do mundo (Foto: Calgary Sun)

Valdiron de Oliveira recuperou mais de 20 posições e chega a Final Mundial entre os 15 melhores do mundo (Foto: Calgary Sun)

EJ: Sei que muita gente não gosta de comparar rodeio com futebol. Muitas vezes um técnico leva um jogador que não gostamos para a Copa, e lá o cara se transforma. Meu amigo, estamos falando de PBR World Finals, e tudo pode acontecer. Vamos esquecer o campeonato, agora temos um Final em primeiro plano, embora ainda não confirmado, mas nos anos anteriores deram ao campeão 250 mil dólares, isso para nós e brasileiros, é mais de meio milhão de reais. Então, todos os brasileiros chegam forte. Sim, você bem destacou, e ele pode ser campeão, sabe como funciona Las Vegas, e não tem pressão de nada, nadinha mesmo. Não tem como não ver um Guilherme Marchi – Primeiro Brasileiro a vencer a PBR Finals – chegar forte, o João Ricardo, que também briga diretamente pelo título. Então meu amigo, os dólares serão lançados e só nos resta aguardar e torcer. Abner, os números do 15/15, parecem que foram diferentes este final de semana. O forte do 15/15 é a qualidade dos touros, e parece que desta vez os touros deixaram a desejar?

AH: Não só no PBR 15/15 Bucking Battle, mas na etapa de uma maneira geral faltou touro. O que aconteceu foi o seguinte, normalmente há um intervalo de duas semanas entre a última etapa da temporada regular e a Final Mundial, mas este ano, apesar do campeonato ter sido menor, colocaram uma etapa quase no meio de outubro, o que reduziu o intervalo para apenas um fim de semana. Com isso, os touros selecionados para Las Vegas – e ai você põe os 150 melhores touros da PBR – não foram a Hollywood, no último fim de semana. Foi a etapa com o maior número de paradas nos últimos anos. Prova de que o nível dos animais estava abaixo da média, foi uma montaria de 77.00 pontos e outra de 71.50 pontos no Short-Go. No 15/15, dois ou três touros conhecidos, mas também rejeitados da Final deste ano. Com isso, 8 paradas em 15 montarias. E até a montaria histórica de João Ricardo Vieira, onde ele ganhou a segunda maior premiação da história da PBR em uma única montaria (US$ 123 mil) ficou comprometida. O João Ricardo não tem nada a ver com isso, sortearam o touro dele pra ser bônus, ele parou e ganhou a grana, mas o desempenho do touro não correspondeu a premiação que estava em jogo.

João Ricardo Vieira participou de um desafio com o touro TK 500 durante o PBR 15/15 Bucking Battle e embolsou US$ 123 mil (Foto: Andy Watson)

João Ricardo Vieira participou de um desafio com o touro TK 500 durante o PBR 15/15 Bucking Battle e embolsou US$ 123 mil (Foto: Andy Watson)

EJ: Muito bem frisado: João Ricardo, Guilherme Marchi e J. B. Mauney, não tem nada com isso, mas, o forte das etapas da PBR sempre foi os touros, e nessa, não tivemos nenhuma nota na casa dos 90 pontos. O que estamos focando aqui é algo raro e incomum de falar: A PBR ERROU em fazer essa etapa. Por outro lado 1,5 milhões de telespectadores assistiram a etapa pela CBS, tendo no mesmo horário, Futebol Americano e Basquete, o esporte lá é valorizado e cresce. O público americano é diferenciado quando se trata de rodeio. Falando em americanos, você consegue enxergar, ou acreditar em um outro americano, além do J. B. Mauney fazendo sucesso em Las Vegas?

AH: Com 12 brasileiros e 15 vagas no Short-Go de Las Vegas podemos ter alguns americanos sim. (risos). Cody Nance e Mike Lee que estão no TOP 10 fizeram uma boa temporada, acredito que deverão parar em pelo menos três touros cada um. Shane Proctor é aquela incógnita, pois está muito tempo sem montar. Acredito que dois nomes que também devem ir bem em Vegas são LJ Jenkins, que cravou uma boa seqüência nas últimas cinco etapas e Luke Snyder, que vai fazer sua despedida da PBR e do público americano. Ele encerra a carreira em novembro, nas etapas da PBR Austrália. Por falar em Austrália, Brendon Clark também se despede, mas ele nunca foi tão brilhante na Final Mundial. Se conterrâneo Ben Jones deve ir melhor. No time canadense, ainda há dúvidas. Aaron Roy e Ty Pozzobon são os únicos classificados, mas Roy ainda se recupera daquela grave lesão de Calgary e não irá a Las Vegas, enquanto Pozzobon também está com uma lesão no joelho, mas acredito que irá montar. Eugênio José, último fim de semana aconteceu (segue no próximo também) um evento muito criticado, que foi o Festival Sertanejo de Osasco, antiga Festa do Peão de Osasco. Muita gente criticou por não haver montarias, mas você esteve lá e pode analisar de um outro ângulo, que quem tá de fora talvez não tenha percebido.

Ty Pozzobon deve ser o único canadense presente na PBR World Finals este ano (Foto: Andy Watson)

Ty Pozzobon deve ser o único canadense presente na PBR World Finals este ano (Foto: Andy Watson)

EJ: Se olharmos a olho nu, parece estranho mesmo. Quando recebi o convite fiquei até preocupado. Muitas pessoas criticaram e estão criticando. O problema lá é mais embaixo. O rodeio parou por pressão das sociedades contra os animais, só entrar no site deles (procurem que não vou fazer mídia pra eles), que você vai ver o quanto eles estão protestando, articulando com mentiras e tudo mais para não ter o evento. O Prefeito do município, hora nenhuma se acuou, inclusive indo ao estúdio todos os dias dar entrevistas. Jorge Lapas, batizou o evento de “A Volta do Sertanejo para Osasco”, estamos (Digo estamos porque ainda estou aqui), dentro da grande São Paulo. Então o evento tinha que voltar, e voltou desta maneira. Na arena, além de apresentação de provas  com Hipismo, Ranch Sorting, Team Penning, uma etapa Top Team Cup de TrÊs Tambores, com as melhores do campeonato, que está em sua reta final. Aliás, foi a primeira vez que vi a atual líder, Ana Júlia Lima de apenas 13 anos, correndo como gente grande. Muito bem orientada, muito bem treinada, acredito que é uma revelação dos Três Tambores. Não posso deixar de mencionar o trabalho do Marcos Pacheco, Presidente do Rodeio, e Michel Wintoniack  diretor, pelo trabalho, que a gente sabe que foi complicado até o último instante, e esse último instante todos sabem que é a liberação dos bombeiros. Mas, o Festival Osasco, foi um sucesso na primeira semana e tende a ser bom na segunda também. Lembre-se, é um recomeço.

4 comentários em “Arena Debate 44: É a vez de J.B. Mauney?

  1. willian
    16 de outubro de 2013

    Eu ainda acredito no TRI MUNDIAL do Silvano Alves, ele só precisa parar em seus touros para manter a vantagem, o JB é o melhor americano da temporada muito talentoso, mais muito descabeçado pecou nas escolhas de alguns touros, não basta ser só agressivo existe a hora de cadenciar a montaria pra manter uma regularidade, isso por que se trata de uma disputa por pontos, estou na torcida pelo Silvano Alves e gostaria sim de ver o JB campeão mais só se for no ano que vem !! (risos)

    • Jader
      17 de outubro de 2013

      Também estou na torcida pelo Silvano Willian, vamos torcer, porque isso é muito possível. Só ele parar nos dele. Abraxxx

  2. Rafael
    16 de outubro de 2013

    Concordo com vc Jader, sou brasileiro mas estou torcendo pro J.B… rsrsr o cara é muito talentoso, não menos que os brasileiros, mas gosto do estilo dele tanto d montar como pra escolher os touros, sempre agressivo, além disso ele bateu na trave algumas vezes, então acho q seria legal ver ele campeão. Mas é uma pena q os juízes continuam supervalorizando as montarias dos americanos.
    Go J.B.!

  3. Jader
    16 de outubro de 2013

    J. B. é sem duvida uma grande bull rider , e se não ganhar esse ano, tenho ctz que ano que vem é dele. Mas venho seguindo todas as etapas e na minha humilde opinião acho que estão pesando demais na dele, algumas montarias dele se é um Brasileiro é de 1 a 2 pontos a menos, esta visível que querem ele campeão esse ano. Tirando isso sou um grande fan do J. B., cowboy muito duro, faz a montaria parecer fácil.

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Publicado em 16 de outubro de 2013 por em Arena em Debate.
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