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Arena em Debate 40: Silvano, Mauney, Crisostomo e muito mais

A VITÓRIA DE CLÁUDIO CRISOSTOMO, A ESTRATÉGIA DE SILVANO ALVES, AS ESCOLHAS DE J.B. MAUNEY E O BAIXO DESEMPENHO DOS BRASILEIROS FORAM ALGUNS DOS TEMAS ABORDADOS NA EDIÇÃO 40 DO ARENA EM DEBATE

De um jeito diferente de avaliar e discutir os assuntos relacionados ao Rodeio Mundial, os colunistas Abner Henrique e Eugênio José trazem muitas informações que em outros lugares poderiam passar em branco, mas é exposto aqui, para quem é fã de rodeio

Cláudio Crisostomo venceu sua etapa de estréia na elite da PBR (Foto: Andy Watson)

Cláudio Crisostomo venceu sua etapa de estréia na elite da PBR (Foto: Andy Watson)

Abner Henrique: Começo novamente falando de vitória brasileira e desta vez, vitória de um estreante. Repetindo o feito de Agnaldo Cardozo (2007) e Silvano Alves (2010), o goiano Cláudio Crisostomo foi Campeão no primeiro evento que participou na principal divisão da PBR. A receita para a vitória, não é mais tão incomum – parar em todos os touros. Ele chegou focado nisso e sabia que se parasse em todos os touros, independente da nota ficaria em uma boa posição e devido a ninguém mais ter parado em todos os touros, essa boa posição foi a 1ª colocação. Na entrevista após a vitória, Crisostomo disse que se considera “muito frio” e do mesmo jeito que montou no primeiro dia, montou a Final. Eugênio José, com um resultado tão positivo logo na estréia, acabam vindo as comparações e as especulações. E a primeira comparação é com Edevaldo Ferreira, principal adversário de Cláudio Crisostomo no ranking brasileiro hoje e que tenta pela terceira vez iniciar uma carreira nos EUA, mas não tem vencido seus touros. Qual você acha que foi o principal motivo de um resultado tão positivo do Cláudio em relação a outras estréias de brasileiros?

Eugênio José: A resposta é Pequi. (Risos). Abner Henrique, a palavra adaptação pode demorar anos e nunca acontecer, como pode ser imediata – caso do Cláudio Crisostomo – então, podemos dizer que tudo o que ele disse é verdade, ele é frio. Domingo assisti ao vivo o rodeio, ele pendeu no touro Delco e simplesmente não fez nada, ficou parado, o touro continuou pulando e ele voltou em cima. Para definir Crisóstomo nos EUA eu arrisco: boa fase, frieza, e adaptação rápida. Vale lembrar, que, ele montou na TPD, na segunda-feira (09), isso ajuda, mas não tira o mérito de adaptação rápida. Com Edevaldo Ferreira é difícil falar, mas, que ele está dedicado ninguém pode contestar, mas, realmente as coisas “ainda” não aconteceram para ele nos EUA, mas, eu acredito que aconteça. Vamos falar de Silvano Alves, Abner Henrique, mais uma vez sua tática foi certeira, terminou na segunda posição o evento de três dias, o que significa muitos pontos, e continua líder mantendo aquela vantagem que não garante nada, mas sempre ajuda se tratando de título.

AH: A cada etapa, Silvano Alves chega mais perto do inédito tri-campeonato consecutivo. Restam quatro etapas antes da Final Mundial e ele está a 2.467,25 pontos do segundo colocado. Puxando nos registros, ano passado, quando restavam quatro etapas para Las Vegas ele estava a apenas 241,75 pontos do vice-líder. Um detalhe, é que a temporada passada teve duas etapas a mais e mesmo assim, quando restavam quatro etapas antes da Final, ele ainda não havia chegado aos 10 mil pontos. Esse ano ele conseguiu isso com apenas 22 eventos. Outro detalhe, é que no ano passado havia aquele Round Bônus no primeiro dia das etapas e este ano não há, ou seja, há menos pontos em jogo antes da Final Mundial, menos chances para os concorrentes dele. Eugênio José, falando em Final Mundial, você provocou os americanos pelo Facebook que a gente tinha mais uns três iguais o Cláudio Crisostomo pra mandar pra lá. Ele (Cláudio) parece que já vai garantir vaga em Las Vegas pela pontuação, mas a PBR Brazil terá direito a indicar um representante. Você acha que o Roberley Val (atual 3° colocado no Ranking) aceitaria ir se fosse convocado, ou deixaria essa vaga para o Magno Alves?

Silvano Alves mantém a regularidade e amplia sua vantagem na liderança da PBR (Foto: Andy Watson)

Silvano Alves mantém a regularidade e amplia sua vantagem na liderança da PBR (Foto: Andy Watson)

EJ: Sobre a PBR Brasil difícil responder, uma pergunta bem interessante, porém, confesso que não tenho conhecimento sobre esse assunto, aliás é um assunto que devo abordar mais nos Flashes de Arena. Se a PBR Brasil pudesse escolher quem mandar (isso não acontece) e se fosse eu que escolhesse, eu mandaria o Kayque Pacheco logo (Risos). A situação de Silvano Alves é tensa, para os adversários é claro, sempre regular fazendo aquilo que precisa, mais uma vez escolheu o touro, certo, o touro que ele daria conta. Mesmo J.B Mauney, sendo melhor que ele depois das férias, ele é o competidor mais candidato que os outros ao título. Porém, vem aquela velha história, ele tem um boa vantagem, mas, nada garantido. O que não podemos negar é que, entra etapa e sai etapa e ele está na mesma posição, em vantagem, e a final está chegando. O tempo dos adversários está ficando curto, ele não precisar fazer nada, só manter, os outros que vão ter que ir para o tudo ou nada. Talvez J.B. já mostrou isso domingo: preocupação escolhendo Asteroid. Abner Henrique, nessa segunda parte do campeonato, Mauney passou três brasileiros. Como anda o desempenho dos brasileiros nessa última parte do campeonato?

AH: Analisando o desempenho dos brasileiros, notei algo preocupante. Hoje temos cinco dos seis melhores do mundo, porém o aproveitamento deles nesta segunda parte do Campeonato está muito fraco. Os brasileiros pararam em apenas 36.95% dos touros que montaram nas cinco etapas depois das férias, sendo que a média geral deles nas 22 etapas do ano é de 42.83%. Se analisarmos somente a primeira parte do Campeonato (primeiras 17 etapas), o aproveitamento de todos os brasileiros chega a 44.64% das montarias. Ou seja, os brasileiros voltaram das férias parando em 8% menos touros que no início. Neste levantamento, alguns dados me chamaram atenção. Agnaldo Cardozo ainda não parou em nenhum touro depois das férias, caiu dos 11 que montou. Edevaldo Ferreira, que só participou de 4 das 5 últimas etapas, parou em 1 dos 9 touros que montou. Marco Eguchi e Emílio Rezende pararam em apenas 3 dos 12 que montaram, sendo que em 3 das 5 etapas ambos passaram em branco. Eduardo Aparecido e Valdiron de Oliveira também só pararam em 4 touros até agora. As exceções são Silvano Alves, com 10 paradas e Guilherme Marchi, com 9 paradas, sendo que ambos fizeram 16 montarias depois das férias. Há alguma explicação para isso ou é apenas coincidência?

EJ: PROTESTO! Porque as perguntas mais difíceis são para mim? (Risos). Abner Henrique, é difícil falar, sobre este assunto, mas, números não mentem. Não posso falar por eles que seja adaptação, mas, o rendimento de fato, não é o mesmo, porém, acredito que todos chegarão bem a final. Chovendo no molhado, é ai que Silvano Alves se faz forte. Quem é o brasileiro com mais paradas? O negócio de Silvano é tão perfeito, que se você me perguntasse quem foi que parou mais, eu não responderia Silvano, ou seja, ele faz tão pés no chão as coisas, que parece que ele nem está lá, isso me deixa com a certeza que se vier o terceiro título dele, um marco histórico na PBR, daqui 20 anos, ele vai ser lembrado como o maior estrategista de todos os tempos. Falando em estratégia, qual é da do J.B. Mauney? Ele é imprevisível mesmo. Outro dia perguntei na minha Fan Page, se ele poderia ser campeão, muita gente (brasileiros) disseram: Ele não tem só o Silvano Alves para disputar, tem João Ricardo, Marco Eguchi, Guilherme Marchi, etc. O panorama hoje é: ele (Mauney) passou todo mundo, só falta Silvano. Vá com calma, defina a escolha dele, mais uma vez em Asteroid, e seu alto rendimento, e agora vice-líder do mundial.

AH: Não podemos dizer que desta vez a escolha de J.B. Mauney foi imatura. Ele estava com um touro a menos e foi para o “tudo ou nada.” Ele acabou não caindo do Asteroid oficialmente, mas caiu do touro do re-ride e mesmo assim conseguiu a terceira colocação do evento, que não é tão ruim. Mas se você pensar que se ele tivesse escolhido o touro que Silvano Alves escolheu, ele poderia ter feito uma nota e ainda pegaria um bônus de pontos e mesmo que tivesse terminado em terceiro, sua vantagem hoje pra João Ricardo seria maior que 300 pontos. Concluindo, ele errou na estratégia e nem ele nem ninguém está em condições de desperdiçar pontos a essa altura. Ainda falando em possíveis candidatos ao título, Shane Proctor caiu de mal jeito no domingo e agravou aquela velha lesão no ombro. Os médicos pediram repouso até a Final Mundial, mas como é o ombro da mão de equilibrio, não acredito que ele fique até lá sem montar. Mudando para a PRCA, onde Proctor também vai bem, tivemos um fim de semana com apenas um Rodeio de grande porte, o de Pendleton. Mas o mais famoso rodeio sem areia (a arena é de grama) do mundo ajudou a causar algumas mudanças significativas no Ranking. Literalmente a PRCA está afunilando a temporada e nas próximas duas semanas, quem errar menos, também chora menos não é isso?

Trevor Brazile, que compete em três modalidades ultrapassou a marca de US$ 200 mil em prêmios pela 11ª temporada consecutiva (Foto: Dee Run)

Trevor Brazile, que compete em três modalidades ultrapassou a marca de US$ 200 mil em prêmios pela 11ª temporada consecutiva (Foto: Dee Run)

EJ: Na PRCA, restam duas semanas agora Abner Henrique, talvez um meia dúzia de rodeios para cada um. Trevor Brazile ultrapassou os 200 mil dólares e o título dele como All-Around, é como jogar contra o Corinthians na atual fase, é vitória certa. (Risos). Falamos aqui semana passada que ele corria risco de ficar de fora do Laço em Dupla, estava em 14º, na degola. No final de semana ele ganhou bons dólares, e agora nesta modalidade junto com seu parceiro Patrick Smith, estão na 11ª posição, eu acredito que agora não ficam de fora, mas, na hora que tudo se afunila, não há previsões. No Bareback, Bobby Mote, ultrapassou Kaycee Feild no final de semana, essa modalidade promete, pois do primeiro para o quarto lugar são 17 mil dólares de diferença, justamente o valor de cada diária em Las Vegas. Repito, o Bareback vai ser a modalidade mais disputada na National Finals Rodeo em dezembro. Na modalidade touro, Abner Henrique, pela fase de J.W. Harris, tudo indica que ele conquista mais um título mundial, o quarto da carreira, mas porém, contudo, entretanto, li sua matéria sobre a ida dele para a PBR e fiquei pensando, “como ele gosta de se machucar em Las Vegas” (Risos). Acho que os rivais pensam nisso. No Bull Dog, Casey Martin, recuperou a liderança, que perdeu a semana passada. Muita coisa boa e os brasileiros que gostam do rodeio completo podem acompanhar a gente que aqui no Arena em Debate, o único lugar aqui no Brasil onde a PRCA é discutida, divulgada e valorizada. Abner Henrique, aqui no Brasil a ANTT, realizou um curso para as competidoras com uma americana da PRCA. Qual a importância disso para o esporte aqui no Brasil?

AH: Eugênio José, um curso com alguém das arenas americanas é sempre importante, pois além deles terem criado o esporte, estão muitos anos na nossa frente em vários fatores, então tudo o que vem de lá, agrega com o talento das nossas meninas. Mas a ANTT trouxe desta vez uma das mais respeitadas treinadoras da America do Norte, Danyelle Campbell. Canadense, mas radicada nos Estados Unidos, a gente não fala muito dela por aqui, até porque ela se dedica mais a treinar competidoras e animais, do que a competir. Mas certamente, foi um passo muito importante este curso, mais um marco no Campeonato de 10 anos da ANTT, a entidade mais duradoura do rodeio brasileiro. Uma curiosidade sobre a Campbell é que ela se classificou três vezes para a National Finals Rodeo, sempre em intervalos de sete anos. (1995 – 2002 – 2009). Mas falando em grande nome das arenas, temos em primeira mão uma notícia que me deixa muito feliz e tenho certeza que vai deixar quem é fã de Rodeio também.

Justin McBride em uma das montarias da PBR World Finals de 2007, onde conquistou seu segundo título mundial (Foto: Andy Watson)

Justin McBride em uma das montarias da PBR World Finals de 2007, onde conquistou seu segundo título mundial (Foto: Andy Watson)

EJ: Justin Mcbride, bicampeão mundial pela PBR, está de volta, mas não como Bull Rider, e sim no Bareback. Já adianto que preferia que ele voltasse no touro, garanto que ainda tem muito mais cartucho que muita gente que está na ativa. Mas ele já avisou na entrevista: “Fiz o certo, sai por cima”. Justin McBride, o melhor americano nos últimos tempos na PBR volta as arenas, mas no Bareback. McBride já tem estreia marcar em um qualify dia 19 de outubro, que vale vaga para um Rodeio no Cowboys Stadium no ano que vem. Pra quem não lembra, ele se aposentou aos 29 anos, um ano após conquistar seu segundo título mundial e foi seguir a carreira de cantor country. McBride já havia montado no Bareback no Rodeio Colegial e disse que na adolescência era melhor montando em cavalos do que nos touros. Hoje ele está com 34 anos, mesmo idade do Valdiron de Oliveira, o mais velho atualmente na PBR.

Por Abner Henrique e Eugênio José

Um comentário em “Arena em Debate 40: Silvano, Mauney, Crisostomo e muito mais

  1. tiagoleite@irani.com.br
    18 de setembro de 2013

    Que notícia boa, fico feliz e não vejo a hora de rever ele nas arenas. Ele Fez como o Pelé, parou na sua melhor fase…hehehe

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Publicado em 18 de setembro de 2013 por em Arena em Debate.
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