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Lane Frost: O inesquecível campeão

ELE ESCREVEU PARA SEMPRE SEU NOME NA HISTÓRIA DO RODEIO MUNDIAL QUANDO TORNOU-SE O PRIMEIRO GRANDE ASTRO DAS ARENAS, MAS TEVE SUA CARREIRA E SUA VIDA ENCERRADA PRECOCEMENTE A EXATOS 24 ANOSBlog Arena Bruta Lane Frost

(Em 2011, postei esta matéria sobre Lane Frost, que até hoje é a mais acessada do Arena Bruta. Para relembrarmos a vida e a carreira deste ídolo do rodeio mundial, posto novamente aqui, na versão original, esta simples homenagem ao campeão.)

A 24 anos o Rodeio vivia um dos momentos mais tristes de toda sua história. Na tarde de 30 de Julho de 1989, Lane Frost fez sua última montaria, na arena de Cheyenne. O eterno Mister Simpatia se foi cedo demais, mas deixou sua contribuição para as gerações que se seguiram. Até meados dos anos 80, o público em geral, pessoas que não eram ligadas ao esporte, assistiam aos Rodeios apenas por curiosidade sobre a luta Homem X AnimalLane foi o primeiro Super Star das arenas e suas aparições constantes na TV, seu carisma e seu talento levaram milhões de pessoas, até então leigas, a se transformarem em fãs incondicionais do Rodeio.

Lane Frost nasceu no Colorado, mas passou toda sua infância em Utah, onde desde cedo ajudava o pai nas atividades da fazenda. Aos 15 anos, ele já colecionava títulos de Montarias em Bezerros, Bareback e Prova de Laço, e seus pais se mudaram para Oklahoma, onde o garoto ficou ainda mais perto das competições. Decidido a encarar a vida de Bull Rider, Lane passou a ser treinado por Fleckles Brown, Campeão Mundial da década de 60 e grande amigo de seu pai. Com o que aprendeu com um dos maiores competidores da história do Rodeio, Frost foi vencendo evento atrás de evento, amador, colegial, até chegar ao Circuito da PRCA, onde estreou aos 19 anos.

Campeão em todas as categorias que passou desde a infância, Lane Frost chegou ao Rodeio profissional aos 19 anos

Campeão em todas as categorias que passou desde a infância, Lane Frost chegou ao Rodeio profissional aos 19 anos

Em pouco tempo, ele já era um dos principais competidores do pais e devido a seu carisma, se tornou a maior celebridade das arenas na época. Com o sorriso que o acompanhou a vida toda, Lane sempre tinha tempo pra atender quem o procurasse, fosse um garoto de cinco anos querendo saber dicas para montar em um bezerro ou um senhor de 95 anos, querendo conversar sobre a seca que castigava algumas regiões do pais. Ele sempre era a mesma pessoa, seja ao lado de um político que vinha o cumprimentar nos grandes eventos ou com as pessoas que ele parava constantemente para ajudar a trocar o pneu do carro. Essa foi sua principal marca, ele não era apenas talentoso montando, mas involuntariamente ele soube se transformar num astro, deixando um legado de sempre lutar por seus sonhos.

Depois de ficar em nono lugar no Mundial de 1984 e terceiro no Mundial de 1985, ele foi Campeão da National Finals Rodeo de 1986, onde permaneceu em nove touros e por poucos segundos não se tornou o primeiro homem da história a parar nos 10 touros da NFR. O competidor terminou a temporada novamente em terceiro lugar, vendo o primeiro dos quatro títulos Mundiais de seu companheiro de viagem Tuff Hedeman. Depois de passar quatro temporadas competindo contra lendas do porte de Don Gay, Charles SampsonBobby DelVecchio e Jim Sharp ele finalmente foi Campeão Mundial no ano de 1987, após superar Ted Nuce, Campeão Mundial de 1985 e vice em 1986, por US$ 4.2 mil.

Durante a Final Mundial, Lane fez aquela que seria a última montaria do temido touro Red Rock, que após derrotar o Campeão Mundial se aposentaria com uma invejável carreira de 309 apresentações sem nenhum competidor permanecer os oito segundos sobre ele. Mas cinco meses depois, John Growney e Don Kish, proprietários do touro, resolveram trazê-lo de volta as arenas para o histórico “Desafio dos Campeões”, onde Lane Frost e Red Rock se enfrentariam numa série de sete montarias. Lane, caiu nas duas primeiras, mas depois de assistir diversas fitas de vídeo do touro, conseguiu derrotá-lo pela primeira vez em Redding / Califórnia, na noite de 20 de maio de 1988. O Desafio chegou a seu último Round na cidade de Spanish Fork / Utah, no final de julho, empatado em três a três.

Lane Frost montando Red Rock em uma das sete etapas do "Desafio dos Campeões", vencido por ele

Lane Frost montando Red Rock em uma das sete etapas do “Desafio dos Campeões”, vencido por ele

Na última e histórica montaria, Lane montou Red Rock por 9.63 segundos e saiu vencedor do Desafio contra um dos maiores Touros da história do Rodeio. Os mais importantes meios de comunicação dos Estados Unidos cobriram a disputa, o que despertou a atenção de toda a nação e foi o inicio do reconhecimento que a Montaria em Touros tem hoje no pais, sendo o esporte que mais cresceu nos últimos anos e um dos quatro de maior audiência na TV.

Neste ano, Lane ultrapassou a marca de US$ 500 mil ganhos na carreira e terminou o Mundial em sexto lugar, assistindo Jim Sharp se tornar o primeiro competidor a vencer os 10 Touros da Final Mundial. O cowboy continuou sua luta em busca do Bi-campeonato Mundial em 1989, participando dos principais eventos da PRCA do primeiro semestre, até a tarde do trágico acidente. Exatamente um ano após o fim do desafio com Red Rock¸ Lane compete em Cheyenne, considerado o maior Rodeio americano. Na final do evento, ele sorteou Take Care of Business, um dos mais respeitados touros da época e que ele já havia montado cerca de um mês atrás.

O vídeo original da montaria mostra uma aula de montaria, onde o touro roda alto, conta a mão do competidor e ele nos presenteia com um verdadeiro espetáculo, mostrando toda sua técnica para montar em touros. Foi a mais bela montaria do evento, mas após os oito segundos Lane se solta e cai ao lado do animal, que o atinge com uma única cabeçada, prensando o competidor contra o chão. Rapidamente ele se levanta e os próximos segundos é uma das cenas mais marcantes que eu já assisti. Frost, com nítida cara de dor, o chapéu amassado e “atolado” na cabeça até a altura dos olhos corre seis passos e desaba nos pés de um dos salva-vidas do Rodeio. Socorrido imediatamente os para-médicos tentaram reanimá-lo durante todo o trajeto até o Hospital, mas ele já havia falecido dentro da arena, vitima da perfuração de uma artéria, causada pelas costelas quebradas.

primeira grande celebridade das arenas, o sempre sorridente Lane Frost teve sua vida interrompida aos 25 anos de idade

primeira grande celebridade das arenas, o sempre sorridente Lane Frost teve sua vida interrompida aos 25 anos de idade

Lane Frost foi sepultado em Oklahoma na quarta-feira, 02 de agosto ao lado do seu mestre, Fleckles Brown e segundo um jornal local, 3500 pessoas estiveram presentes na cerimônia de despedida do Campeão. A vida do competidor que nos deixou aos 25 anos de idade foi contada no cinema em 1992 através do longa metragem Oito Segundos, embora a cena de sua morte tenha sido retratada de forma diferente e a muitas criticas alegando que faltou emoção no roteiro e que a vida do cowboy era muito mais eletrizante do que foi para as telas. O Filme também retrata Clyde, seu pai, sempre frio com as conquistas do filho, mas a família e os amigos afirmam que Clyde sempre teve orgulho do cowboy. No filme, Lane foi vivido por Luke Perry, ator do famoso seriado Barrados no Baile e as cenas de montarias foram feitas por Jerome Davis, que na época era apenas um novato, mas que posteriormente se tornou um dos mais premiados competidores de todos os tempos.

Ao longo desses 24 anos, muitos outros documentários sobre a vida e a carreira de Lane Frost também foram lançados, assim como dezenas de programas e reportagens especiais na TV e matérias nos principais Jornais e Revistas do pais. A algum tempo li uma matéria da revista americana Rodeo Magazine que me trouxe detalhes sobre esta trágica tarde que não é apresentada no Filme. A matéria foi escrita por Kendra Santos, que é hoje responsável pela parte de comunicação da Professional Rodeo Cowboys Association e que foi quem sugeriu em 1988 em outra reportagem que fosse feito o “Desafio dos Campeões”.Kendra era amiga pessoal de Lane e constantemente estava com ele nos principais eventos do pais. Ela conta que estava do outro lado da arena entrevistando os campeões das provas cronometradas quando parou para assistir a montaria de Lane.

Lane Frost durante o programa Sports Machine, onde concedeu sua última entrevista, horas antes do acidente fatal

Lane Frost durante o programa Sports Machine, onde concedeu sua última entrevista, horas antes do acidente fatal

Quando ela viu o acidente e ele sendo atendido dentro da arena pensou que era apenas mais um acidente que ele teria que ficar meses em recuperação, mas mesmo assim correu para o fundo dos bretes. Ao chegar lá, encontrou um competidor debruçado na cerca chorando, que lhe disse que não haviam conseguido reanimá-lo. No hospital, a jornalista encontrou Tom Reeves, outro grande amigo de Lane e que mais tarde se tornaria Campeão Mundial de Sela Americana. Reeves apenas a abraçou sem dizer nada e a confirmação veio quando ela viu Cody Lambert, companheiro inseparável de Lane Frost, sair porta a fora e sentar-se nos degraus da entrada do hospital, inconsolável.

Algumas horas antes de sua morte, Lane e Tuff Hedeman deram entrevista ao programa Sport Machine, em rede nacional de TV e como ele estava usando um aparelho dentário depois de um acidente nas semanas anteriores, ele não parava de rir da situação. Tuff viveu ao lado de Lane praticamente todos os dias de sua carreira profissional. O tetra-campeão Mundial conta que ele tinha uma resistência incrível a dor e mesmo se tivesse as duas pernas quebradas ele daria um jeito de sair da arena se arrastando, pois carregado só se tivesse desacordado. Quando Tuff viu Lane se levantar e desabar novamente, sabia que era algo muito grave. O texano acompanhou todos os esforços da equipe médica para trazer o amigo de volta e estava no quarto do hospital quando a morte foi anunciada oficialmente. No dia seguinte ele e Lambert embarcaram num vôo fretado em direção a residência dos pais de Lane. “Voar sabendo que meu amigo estava ali ao lado dentro de um saco… foi a coisa mais difícil que eu já fiz na minha vida e me lembro disso todos os dias”, declarou Hedeman recentemente.

Tuff, que era um dos lideres do Campeonato Mundial daquele ano voltou a montar em poucos dias, mas ele declarou que apesar de conseguir parar nos touros ele estava em outro mundo, não conseguia aceitar. Até que um dia refletiu que Lane Frost teve uma vida perfeita, fez exatamente o que ele sempre sonhou fazer, e como ninguém pode sair daqui vivo, devia celebrar a vida que o amigo teve. Naquele ano, Tuff Hedeman ganhou o seu segundo de quatro Títulos Mundiais e na sua última apresentação na Final Mundial, fez a famosa montaria de 16 segundos. “Montei oito segundos pelo título e os outros oito pelo Lane, declarou o Campeão, que colocou o nome de seu primeiro filho de Robert Lane, em homenagem ao amigo.

Lane Frost posando ao lado de Red Rock em uma rara foto das duas lendas

Lane Frost posando ao lado de Red Rock em uma rara foto das duas lendas

Ele conheceu Lane nas Finais Colegiais quando ambos tinham 16 anos, e apesar de nem se falarem ele notou que ali estava um verdadeiro Campeão. Todos já falavam daquele garoto que havia sido destaque no circuito Colegial de seu estado e a sua simpatia só aumentava sua popularidade. “Ele era o cara mais popular do mundo, todos gostavam dele”, acrescentou Tuff Hedeman. Outro que conviveu diariamente com Lane Frost foi Cody Lambert. Sete vezes finalista Mundial e um dos fundadores da PBR, Lambert viajou ao lado de Frost e Hedeman por mais de sete anos. Ele atualmente é o Diretor de Montarias da PBR e é quem seleciona os touros que vão trabalhar em cada evento e logo após a morte de seu amigo, começou a desenvolver o projeto do colete, que hoje é obrigatório na Montaria em Touros e que se já existisse em 1989 tinha certamente salvado a vida de Lane.

Apesar de ter citado alguns fatos sobre o dia da morte trágica de Lane Frost, eu sempre serei a favor de darmos mais destaque a carreira profissional que ele teve, seu talento indiscutível e a sua personalidade, que será admirada pelas gerações futuras. Frost era daqueles caras que estavam sempre de bem com a vida, sempre achava um motivo pra sorrir e um motivo pra seguir lutando, mesmo quando tudo estava dando errado e sua trajetória certamente serviu a até hoje serve de motivação para muita gente. Seu talento, apesar de ter sido moldado, era nato, já estava no seu sangue. Seu caráter, pode ter sido influencia da boa educação dada pelos pais, mas também não é difícil de acreditar que ele nasceu para ter aquele coração bom. Por isso é fácil ter a certeza o principal motivo daquela alegria de viver era que ele fazia exatamente o que queria. As longas viagens, as aventuras e a adrenalina das montarias era algo que ele sonhou quando criança e pode realizar, plenamente.

3 comentários em “Lane Frost: O inesquecível campeão

  1. marcelo alberto gonçalves favaro
    31 de julho de 2014

    Lane Frost para minha vida de cowboy foi e uma das maiores inspiraçoes que se todos os campeoes que temos hoje estudassem ou assistissem filme varias veses entenderiam liçao que ele deixou que ser alem de campeao era um excelente ser humano.

  2. Pingback: Eugenio José – Comentarista e Colunista de Rodeios » Vinte e cinco dias para relembrar os vinte e cinco anos sem Lane Frost

  3. Alessandra sousa
    31 de julho de 2013

    realmente ele se foi cedo de mas,mas ele se tornou um cawboy respeitado e seguido por muitos no muindo do rodeio.

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Publicado em 30 de julho de 2013 por em Lendas das Arenas.
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