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Salva-Vidas: Conheça a origem da profissão

A EXPRESSÃO ‘PALHAÇO SALVA-VIDAS’ A MUITO TEMPO JÁ NÃO É ACEITA PELOS PROFISSIONAIS DA ÁREA, PORÉM A EXPLICAÇÃO PARA O USO, OU MISTURA DAS DUAS FUNÇÕES, VEM DA ORIGEM DA PROFISSÃO, QUE ACONTECEU NOS ESTADOS UNIDOS A QUASE 100 ANOS ATRÁSBlog Arena Bruta

 

(por Abner Henrique) Os Salva-Vidas ou Bullfighters hoje são figuras indispensáveis dentro das arenas e seu trabalho começa exatamente quando o do peão termina. O competidor completando o tempo regulamentar ou não, é do salva-vidas a função de protegê-lo e evitar que o animal o machuque.

Durante muito tempo eles foram chamados de “Palhaço Salva-Vidas”, termo que hoje, apesar de ainda ser usado por algumas pessoas, não é bem aceito pelos profissionais. Mas esta ligação, ou confusão, entre as duas profissões se deve a sua origem, quando o mesmo profissional tanto divertia o público, quanto protegia os peões.

A história mostra que os Palhaços já estavam presentes nos rodeios dos Estados Unidos no início do século passado, porém eles eram contratados exclusivamente para distrair e divertir o público nos intervalos entre uma montaria e outra. Nesta época, eles não tinham ligação nenhuma com os touros e como eram poucos os animais que representavam perigo, quando havia necessidade, a proteção dos competidores era feita por outros competidores.

Jimmy Anderson, um dos pioneiros na profissão de Palhaço Salva-Vidas (Foto: El Paso Times)

Jimmy Anderson, um dos pioneiros na profissão de Palhaço Salva-Vidas (Foto: El Paso Times)

Nas décadas seguintes, o número de apresentações na montaria em touros aumentou e foram colocados na arena animais com índoles mais perigosas, como a raça Brahman por exemplo. Relatos dizem que certa vez, ainda na década de 1920, um Palhaço que já havia praticado as famosas touradas espanholas conseguiu salvar um competidor da fúria de um touro, chamando a atenção para que outros profissionais desta área passassem a exercer a função.

Outros relatos dão conta que foi por causa das roupas coloridas e suas agilidades nos movimentos, que os Palhaços se transformaram em Salva-Vidas, basicamente tirando a atenção do touro do que usando técnicas, como vemos hoje. O fato é que durante mais de 30 anos, nem todos os que eram contratados para animar o público, entravam na arena para proteger os peões e mesmo os que faziam, não era em tempo integral, ou seja, só entravam em ação para encarar alguns touros.

Isto começou a mudar na década de 60, quando Wick Peth, convenceu alguns organizadores de que era preciso contratar uma pessoa exclusivamente para a função de proteger os peões. Peth, que não tinha muito sucesso quando o assunto era divertir o público, entrava na arena exclusivamente para salvar os competidores, o que deu a ele a honra de ser chamado de o primeiro Salva-Vidas profissional da história dos rodeios.

Wick Peth, primeiro profissional contratado para atuar exclusivamente na proteção dos competidores da Montaria em Touros (Foto: El Paso Times)

Wick Peth, primeiro profissional contratado para atuar exclusivamente na proteção dos competidores da Montaria em Touros (Foto: El Paso Times)

Peth trabalhou nas arenas até os 50 anos de idade, deixando um importante legado para as gerações seguintes. Apesar de nos anos seguintes, outros profissionais se dedicarem somente a arte de proteger a integridade física dos atletas, a grande maioria continuou se dividindo entre as duas funções, porém cada vez mais, a profissão de Salva-Vidas foi sendo reconhecida como de grande importância nas arenas, tendo a década de 70 como um grande marco histórico para a total profissionalização da função.

Muitos profissionais conseguiram conciliar as profissões de Palhaço e Salva-Vidas e tornaram-se ícones em ambas, como é o caso dos lendários Rex Dunn, Lecile Harris e Leon Coffee. Falecido vítima de um câncer em outubro de 2012, Dunn marcou várias gerações com seu jeito único de encarar e dominar os touros. Conhecido como Mr. Smooth (tranqüilo), devido a seu jeito calmo de agir tanto dentro como fora da arena, ele exerceu a profissão durante 16 anos.

Rex Dunn, conhecido como Mr. Smooth, tinha um dos estilos mais respeitados dentro das arenas (Foto: Divulgação)

Rex Dunn, conhecido como Mr. Smooth, tinha um dos estilos mais respeitados dentro das arenas (Foto: Divulgação)

Quando se aposentou, Rex Dunn passou a ministrar cursos para novos anjos da arena, onde nos últimos 20 anos treinou e ensinou praticamente todos os grandes destaques desta profissão nos Estados Unidos. Dunn também fez sucesso como Palhaço, onde encenava truques e brincadeiras clássicas nos intervalos das montarias juntamente com seus parceiros.

Lecile Harris iniciou nas arenas em 1955, como Palhaço, mas aos poucos foi adquirindo experiência também como toureiro. Ao longo dos 35 anos que exercer paralelamente as duas funções, Harris encantou o mundo e ganhou respeito e admiração entre os competidores devido a sua técnica. Com o avançar da idade, ele decidiu deixar de lado a função de Bullfighter, mas hoje, aos 76 anos, o senhor Lecile Harris ainda diverte o público em cerca de 100 cidades por ano.

Aos 76 anos de idade e quase 60 de profissão, Lecile Harris (esquerda) ainda é atração em cerca de 100 eventos por ano nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Aos 76 anos de idade e quase 60 de profissão, Lecile Harris (esquerda) ainda é atração em cerca de 100 eventos por ano nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Outro veterano ainda em atividade é Leon Coffee. Com seu inseparável chapéu verde, ele iniciou nas arenas como peão, mas no final da década de 60 encontrou sua verdadeira vocação, a de Salva-Vidas. Coffee teve uma longa caminhada até se tornar um profissional da Professional Rodeo Cowboys Association, mas foi o grande astro da profissão nos anos 80. Apesar de ter uma das técnicas mais admiradas entre os profissionais do rodeio, no final daquela década ele decidiu parar de enfrentar os touros cara a cara, após ter sofrido cerca de 140 fraturas ósseas.

Mas Leon Coffee não abandonou as arenas e passou a exercer a função de Barrelman, que é um elo entre o Salva-Vidas e o Palhaço. Nesta função, com números e encenações inéditas, o veterano ganhou respeito e admiração do público e de todos os profissionais das arenas. Ativo durante mais de quatro décadas, Coffee passou algumas semanas na UTI no ano passado, devido a uma meningite infecciosa, mas após alguns meses de recuperação, em 2013 ele já voltou a brilhar e encantar as arenas com seus “shows”, aos 59 anos de idade.

Inconfundível com seu chapéu verde, Leon Coffee tornou-se ícone nas arenas (Foto: My San Antonio)

Inconfundível com seu chapéu verde, Leon Coffee tornou-se ícone nas arenas e ainda é figura presente nos principais eventos dos EUA, aos 59 anos de idade (Foto: My San Antonio)

Apesar das semelhanças, há aqueles Salva-Vidas que passam longe de serem chamados de Palhaços, como é o caso de Rob Smits e Joe Baumgartner, que se tornaram lendas do Bullfighter com cara de mal. Baumgartner se aposentou das arenas em 2011, aos 45 anos de idade e este ano será introduzido ao ProRodeo Hall of Fame, maior museu do rodeio mundial.

Joe Baumgartner em ação para soltar um competidor preso a corda (Foto: Matt Cohen)

Joe Baumgartner (direita) em ação para soltar um competidor preso a corda (Foto: Matt Cohen)

Rob Smits, que por muitos é tido como o maior Salva-Vidas de todos os tempos, trabalhou 17 anos na National Finals Rodeo e nove na PBR World Finals, além de ser o único Penta-Campeão Mundial da competição entre Bullfighters, onde eles devem mostrar suas técnicas diante de um touro da raça miúra.

Em 2006, quando quebrou o pescoço pela terceira vez, Rob Smits decidiu que era hora de se aposentar, após 28 anos de carreira. Neste mesmo ano ele foi introduzido com um lugar no ProRodeo Hall of Fame, e posteriormente ganhou um lugar também no Texas ProRodeo Hall of Fame. Pelo trabalho prestado ao esporte, Smits foi recentemente condecorado pela PBR com o Jim Shoulders Award.

Recordista de indicações para as Finais Mundiais da PRCA e PBR, Rob Smits se aposentou após quebrar o pescoço pela terceira vez (Foto: Divulgação)

Recordista de indicações para as Finais Mundiais da PRCA e PBR, Rob Smits se aposentou após quebrar o pescoço pela terceira vez (Foto: Divulgação)

Por outro lado, existem aqueles que fizeram fama sem desafiar os touros, apenas divertindo e distraindo o público, como é o caso de Flint Rasmussen, certamente um dos nomes mais conhecidos hoje na PBR. Flint descobriu sua veia artística no final dos anos 90 e idealizou apresentar um novo show nas arenas, diferente do que era feito pelos Palhaços tradicionais. Ele então desistiu da carreira de professor de Matemática e História e correu atrás de seu sonho.

Aos 19 anos, com números diferentes e uma energia totalmente jovem, Flint Rasmussem começou a ganhar espaço nos rodeios mais tradicionais dos Estados Unidos. Trabalhando na PRCA, ele foi eleito por oito anos consecutivos o melhor Barrelman do campeonato, até assinar um contrato de exclusividade com a PBR, onde faz interação com o público, divulgando o esporte e seus patrocinadores.

Contratado exclusivo da PBR, Flint Rasmussen é o responsável pela interação entre o público, os patrocinadores e os profissionais da arena (Foto: Daniel Goodman)

Contratado exclusivo da PBR, Flint Rasmussen é o responsável pela interação entre o público, os patrocinadores e os profissionais da arena (Foto: Daniel Goodman)

Como vimos, com a evolução do esporte, houve a separação e a profissionalização independente de cada uma das funções, que há décadas atrás eram exercidas pela mesma pessoa. Hoje, em muitos casos, os Salva-Vidas ou Bullfighters não usam mais roupas coloridas, não pintam mais a cara, pois se diferenciaram dos tradicionais Palhaço Animador. Porém vale ressaltar que em alguns eventos tradicionais nos Estados Unidos e Canadá, mesmo não tendo a função de divertir o público, os Salva-Vidas ainda mantém as tradicionais roupas largas e coloridas.

Salva-Vidas usando um Barril em prova de Bullfighting com touros miúras durante o Calgary Stampede (Foto: View Calgary)

Salva-Vidas usando um Barril em prova de Bullfighting com touros miúras durante o Calgary Stampede (Foto: View Calgary)

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Publicado em 11 de junho de 2013 por em Internacional.
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