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Jerome Davis Campeão em otimismo

A EXATOS 14 ANOS, O CAMPEÃO MUNDIAL JEROME DAVIS PERDIA OS MOVIMENTOS DE SEU CORPO APÓS UM ACIDENTE NA ARENA, MAS DESDE ENTÃO, TODOS OS DIAS ELE AINDA ACREDITA QUE VOLTARÁ A ANDAR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(por @HenRiQue_Bad) “Montar em touros é algo que eu sempre quis fazer. Se eu tivesse que fazer tudo de novo eu faria. Eu não mudaria nada.” Está foi uma das frases dita pelo Campeão Mundial Jerome Davis em sua primeira entrevista após o trágico acidente que o deixou tetraplégico. Nesta mesma entrevista ele disse que talvez alguns anos numa cadeira de rodas o fariam mudar de idéia, mas 14 anos depois, Davis ainda dá lições de esperanças e amor pela vida. Na noite de 14 de março de 1998, Jerome liderava o Campeonato Mundial da PBR (Professional Bull Riders) e montou o touro Knock’em Out John (Frontier Rodeo) pela etapa de Fort Worth no Texas, mas aquela montaria que nem sequer chegou aos oito segundos foi a última de sua brilhante carreira. Da outra vez que havia montado neste touro ele havia batido a cabeça duas vezes contra seu rosto antes de joga-lo ao chão e Davis sabia que não poderia se expor tanto, mas o inevitável aconteceu novamente. A batida cabeça com cabeça o jogou ao chão desacordado e o competidor caiu sobre o pescoço, fraturando a sexta e a sétima vertebra. O choque na cabeça não causou nenhum dano e ele retomou os sentidos logo em seguido ainda dentro da arena, mas seu corpo já estava totalmente paralisado. Os cuidados médicos e a cirurgia no dia seguinte de nada adiantaram, e Jerome Davis, aos 25 anos de idade estava sem os movimentos do pescoço para baixo. Este evento de Fort Worth foi vencido pelo brasileiro Rogério Ferreira e curiosamente, neste mesmo final de semana o Tri-Campeão Mundial Adriano Moraes quebrou a perna pela segunda vez em menos de sete meses.

Exemplo de persistência, Jerome ainda faz fisioterapia duas vezes por semana onde convive com outros cadeirantes em reabilitação. Em uma entrevista no final de 2011 para a Pro Rodeo Sports News, a revista oficial da PRCA (Professional Rodeo Cowboys Association), o Campeão declarou: “Eu ainda acredito que vou sair desta cadeira, eu não vou desistir.” Sua fé e sua luta incansável já lhe devolveram os movimentos parciais das mãos e ele hoje consegue segurar objetos leves como uma pessoa normal. As dificuldades ele encara como fortalecimento e sempre pensa positivo buscando metas em sua reabilitação, o que segundo ele ajuda a manter sua mente ocupada e não o deixa pensar em problemas: “É uma rotina dificil, as dificuldades te farão ficar mais forte ou mais fraco, e eu escolhi ser mais forte,” finalizou o ídolo na reportagem feita pela jornalista Kendra Santos com o objetivo de incentivar três jovens competidores da PRCA que perderam os movimentos do corpo no ano passado. Davis se casaria no dia 13 de maio com Tiffany, exatamente dois meses depois do acidente e a cerimônia foi adiada, mas não cancelada. Os dois se casaram no ínicio de outubro e alguns dias depois ele recebeu o Anel de Honra da PBR durante a Final Mundial em Las Vegas, onde seus pontos lhe deixaram na 32ª posição do Campeonato. Desde que se casaram, eles vivem no Rancho da família Davis, em Archdale, estado da Carolina do Norte onde ele cria touros e vacas com genética para rodeio e também ministra cursos de montarias que já formou feras como Brian Canter e o atual número 1 do mundo, J. B. Mauney. Entre suas atividades também estão a produção de eventos de laço e tambor e uma etapa da segunda divisão da PBR, que anualmente atrai os grandes nomes da modalidade a sua cidade. Constantemente Jerome e sua esposa são vistos em eventos da principal divisão da PBR, onde ele leva seus touros, integrantes da Davis Rodeo Co. com destaque para Hard Rock e Superfreak.

Jerome Davis na PBR

UMA TRAGETÓRIA DE SUCESSO

Jerome Carson Davis nasceu em Colorado Springs/Colorado no dia 10 de agosto de 1972 onde seu pai servia as Forças Armadas e seis meses mais tarde sua família retornou a cidade de Archdale. Ele foi criado no rancho da família e na infância apesar de ser apaixonado por motos e adorar caça e pesca, nunca escondeu seu interesse pela Montaria em Touros. Aos onze anos foi colocado em cima de seu primeiro touro e mesmo caindo rápido não desistiu. Determinado, logo no quarto animal que montou já permaneceu os oito segundos e partiu para as competições, participando de 15 rodeios para garotos de sua idade, ainda naquele ano. Ganhou sua primeira fivela de campeão quando cursava o segundo grau, época em que também competia no Laço do Bezerro e Laço em Dupla, chegando a ser o vice-campeão nacional como All-Around Cowboy (Cowboy Completo) pela National High School Rodeo Association. Depois de ser Campeão Estadual de Montaria em Touros ele se mudou para o Texas onde passou a integrar a equipe de rodeio da Faculdade de Odessa, tornando-se Campeão da Final Nacional de Rodeio Universitário em 1992. Neste mesmo ano, ele conseguiu seu cartão de profissional na PRCA, onde em pouco tempo já era destaque nos principais eventos da temporada.

Em 1993, devido a sua aparência física, foi convidado a gravar as cenas de montaria do filme Oito Segundos, que conta a história do Campeão Mundial Lane Frost, morto quatro anos antes. Todas as cenas do filme que tem Lane montando foram gravadas por Jerome em eventos como o de Salinas, Del Rio e Cheyenne, inclusive a cena que representa a montaria que tirou a vida do Campeão. Neste mesmo ano, depois de chegar as Finais de quase todos os grandes Rodeios da PRCA e vencer alguns dos touros mais temidos da época, ele se classificou pela primeira vez para a National Finals Rodeo e mesmo aos 21 anos conquistou a quinta colocação no Campeonato concorrendo com lendas como Ty Murray, Ted Nuce e Tuff Hedeman. No ano seguinte, sua segunda NFR lhe rendeu a terceira colocação no Mundial, mas foi em 1995 que ele teve seu momento de maior glória. Vencendo nove dos 10 touros da grande Final, Jerome Davis fechou a temporada com US$ 135 mil e aos 23 anos se tornou Campeão Mundial da PRCA, superando Troy Dunn, Terry Don West, Aaron Seemas, entre outros. As duas temporadas seguintes após o Título Mundial ele terminou na terceira e segunda colocações, respectivamente, o que marcou seu nome na história da PRCA como o primeiro e até hoje único competidor em touros a ficar cinco anos seguidos entre os cinco melhores do mundo.

Jerome ao lado de alguns fundadores da PBR durante o Heroes & Legends 2011

Tanto a PBR faz parte da história de Jerome como ele faz parte da história dela. Em 1992, ele havia acabado de se tornar profissional e quando não estava nas competições universitárias ele dividia as viagens com os lendários David Fournier e Cody Custer rumo aos eventos da PRCA. Numa dessas viagens ele foi convidado por seus dois “padrinhos” famosos a participar de uma reunião em um quarto de hotel no Arizona, com outros 17 conhecidos atletas. O intuito da reunião era dar uma nova cara a modalidade Montaria em Touros e naquele dia foi fundada oficialmente a PBR. Davis, que havia saído do colegial a menos de um ano, ainda dava os primeiros passos como profissional e se tornou o mais jovem do grupo de 21 homens (20 competidores e um administrador) que fundou o que é hoje uma das mais respeitadas e conhecidas marcas esportivas do planeta. Para ele, ser o único inexperiente e desconhecido a integrar aquele grupo foi motivo de muita honra e provou que Ty Murray, Jim Sharp, Brent Thurman, Tuff Hedeman, Ted Nuce, Michael Gaffney e outros, acreditavam no futuro promissor daquele garoto alto e magrelo. “Eles eram os caras, eram meus Elvis”, completou. A carreira de Davis ainda não havia engrenado e enquanto cada fundador desembolsou US$ 1000 para a criação da entidade, ele deu um cheque da metade do valor e depositou o restante na semana seguinte.

Jerome Davis na Festa do Peão de Barretos em 1996

Apesar de não ter sido Campeão Mundial pela PBR, ele foi um dos mais vitoriosos e certamente um dos mais talentosos que já passaram por ela. Além de se classificar para todas as Finais Mundiais enquanto competia (1994 – 1997) em 1996 Jerome foi o competidor que mais ganhou dólares na entidade, terminando a temporada em quarto lugar depois de vencer dois importantes eventos. No ano seguinte ele foi o competidor que fez mais notas acima de 90 pontos na temporada e em 1998 liderava o Campeonato Mundial no momento do acidente. Sua última grande montaria foi algumas semanas antes durante o evento de Saint Louis quando montou o touro Red Wolf e marcou 92,50 pontos. Sua vitoriosa carreira e história de vida já foi tema de matérias nas importantes revistas americanas People e Sport’s Illustrated, entre outras, além de programas especiais nos canais Discovery Channel, Extra e TNN. Em 2011 ele foi um dos convidados de honra do Heroes & Legends, evento realizado durante a Final Mundial em Las Vegas e que reuniu os maiores nomes da história da PBR, contando e comentando a história de suas vidas e os momentos mais marcantes de suas carreiras. Jerome Davis também já esteve competindo em arenas brasileiras. Em agosto de 1993, convidado por Adriano Moraes, ele competiu na primeira edição do Barretos International Rodeo, juntamente com os melhores competidores da PRCA na época e retornou ao nosso país em edições seguintes da Festa do Peão de Barretos, fechando sua participação em 1997.

Jerome percorrendo a fazenda em seu carrinho elétrico

UM CAMPEÃO, UM EXEMPLO DE PESSOA

Mas hoje, aos 39 anos, Jerome não pode ser lembrado apenas como o competidor que ficou de cadeiras de rodas e dá um exemplo de vida. Enquanto pode montar, ele também foi um competidor fora de série, daqueles de um em um milhão e certamente se sua carreira não tivesse sido interrompida bruscamente no auge, ele continuaria por mais oito ou dez anos, quebrando recordes e ganhando títulos nas arenas. Quem conviveu com o Davis competidor, o descreve como um rapaz sempre sorridente, caloroso e que vivia cercado de amigos, por dar atenção a todos. Outra característica marcante nele é a fivela solta no cinto e as pernas da calça de couro amarradas na cintura o tempo todo enquanto ele estava no recinto dos rodeios. Montar em touros o deixava completamente realizado e ele deu prova disso quando em 1992 durante o rodeio de Reno as patas de um touro lhe quebraram três costelas e perfuraram seu pulmão. Ao ver o filho passando muito perto da morte, sua mãe lhe pediu que parasse de montar e ele respondeu: “Não se esqueça que eu tenho um sonho e eu vou segui-lo. Aconteça o que acontecer, isso é o que eu amo fazer.” Sobre a trágica noite em Fort Worth, ele disse que só se lembrou dos detalhes da montaria depois que assistiu o vídeo. “Eu sempre me pergunto: se eu tivesse usando capacete ele teria evitado de eu perder a consciência? Mas isso nós nunca saberemos”, declarou Davis. Nesses 14 anos ele já passou por diversas cidades e participou de diversos programas de reabilitação, sempre com uma idéia em sua mente: acreditar enquanto é possível. O Campeão, assim como os outros fundadores da PBR, embolsou US$ 4 milhões a alguns anos com a venda das ações da entidade para a empresa que a administra agora e segundo ele, apesar das suas limitações dá pra levar uma vida confortável. Sempre otimista, o ex-competidor lembra que existem pessoas na mesma situação que ele, mas que não podem ter acesso a conforto ou a tratamentos de ultima geração. Alguns meses antes de ganhar seu Título Mundial, Jerome viu um amigo sofrer um acidente durante um rodeio na Flórida que o deixou sem os movimentos dos braços e das pernas. “Meu coração se entristeceu por ele”, relembra o Campeão, que durante a Final Mundial usou uma fita branca na roupa para homenageá-lo, sem nunca imaginar que menos de três anos mais tarde ele estaria na mesma situação. Sem medo de declarar que ainda acredita que voltará a andar, Jerome Davis disse que gosta de curtir o lado bom de cada dia. “Eu tive uma vida boa, e ainda é boa,” afirma ele. “Esta é apenas uma pedra e eu devo passar por cima dela. Você tem que tentar sempre seguir enfrente, só assim as coisas irão acontecer.”

2 comentários em “Jerome Davis Campeão em otimismo

  1. alisson bruno dos santos amaral
    15 de agosto de 2012

    isso a sim é um exemplo d gente msm cm o acidente dentro d uma aréna ele naõ deixo d viver seu sonhos………………

  2. regina
    28 de maio de 2012

    Adorei a entrevista. Isto faz agente pensar que mesmo diante de tantas dificuldades a fé e a determinação pode mudar a vida de uma pessoa e seguir em frente e acreditar e o melhor a fazer mesmo que o mundo e as pessoas não creiam, nós é que determinamos!!

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