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Rodeio de Calgary Parte 2

CALGARY STAMPEDE – O Maior Rodeio do Mundo (08 a 17 de Julho)

(by @HenRiQue_Bad) Fotos by:  Calgary Sun

No dia 17 de julho de 1994, Adriano Moraes tirou a invencibilidade do melhor touro da época, mostrou aos canadenses que no Brasil também havia peões, e com qualidade e se tornou o primeiro e até hoje único brasileiro a conquistar a vitória no Maior Rodeio do Mundo, embolsando US$ 50 mil. Exatamente 17 anos depois, a premiação já não era mais a mesma, agora o Calgary Stampede, que comemorou 99 anos de existência paga US$ 100 mil a cada um de seus seis campeões e quem esteve no Stampede Park na tarde de domingo assistiu a Final mais eletrizante da história do evento. Antes, na tarde de sábado havia sido realizado a repescagem onde 12 competidores de cada modalidade disputaram as duas últimas vagas restantes para o último dia, onde foi realizado a semi-final, com 10 competidores em cada modalidade e a Final, com os quatro melhores. Além do cheque de US$ 100, cada Campeão levou para casa um troféu personalizado com a réplica idêntica de uma apresentação de sua modalidade.

Clint Cannon durante a Final

BAREBACK

Na Repescagem, todos permaneceram os oito segundos, mas só restavam duas vagas. Os classificados foram o canadense Matt Lait, que marcou a melhor nota 89 pontos, e o texano Clint Cannon que marcou 85 pontos. Nomes conhecidos da modalidade como Kelly Timberman, Justin McDaniel e o ex-líder do Ranking da PRCA, Tilden Hooper, foram eliminados.

Nas semi-finais, apesar de nove dos 10 competidores já terem sido ao menos uma vez finalista da PRCA, havia apenas dois Campeões Mundiais, Bobby Mote e Will Lowe. Mas os donos de sete dos últimos nove títulos Mundiais não foram bem e ficaram de fora da Final. Entre os quatro finalistas, nenhum havia vencido em Calgary e o inédito título botou fogo na disputa, com quatro belos espetáculos. Steven Peebles e Steven Dent marcaram 88 e 89 pontos, respectivamente e Kaycee Field colocou a mão no “cheque gordo” com uma belíssima apresentação de 91 pontos. Mas a vitória ficou com Clint Cannon que levantou as arquibancadas com um show de “roseta” que lhe rendeu 92 pontos sobre o cavalo Street Dance. O texano de 32 anos havia marcado notas baixas na fase classificatória e ficou em sexto lugar na segunda ‘turma’ o que o levou a repescagem. Duas vezes Finalista da PRCA (2009 / 2010), Cannonagora chegou próximo dos US$ 700 mil em prêmios na carreira.

O Campeão do Bareback durante a premiação

BULLDOGGING

Depois que o bi-campeão Mundial Luke Branquinho e o bi-campeão canadense Curtis Cassidy não completaram a prova e foram eliminados na repescagem, a briga pelas duas vagas para a Final ficou ainda mais acirrada. O americano Jule Hazen fez uma apresentação de 4.0 segundos mas perdeu a vaga para o canadense Straws Milan que derrubou o boi em 3.6 segundos. A melhor apresentação do sábado a tarde foi do Campeão de Calgary em 2008, Wade Sumpter, 3.3 segundos.

A vontade de chegar a Final trouxe uma seqüência de belas e eficientes apresentações na semi-final, e apenas um dos 10 competidores não conseguiu cumprir a prova como manda a regra e marcar tempo. Straws Milan, que havia conseguido a vaga na repescagem foi o melhor com 3.5 segundos, seguido de Trevor Knowles, Campeão de Calgary em 2009. Billy Bugenig e Matt Reeves também garantiram vaga na Final, eliminando os canadenses Cody Cassidy e Lee Graves por apenas 0.1 segundos.

O Campeão do Bulldogging

A grande final, foi recheada de emoções. Knowles e Reeves não conseguiram cumprir a prova e Bugenig foi penalizado por “queimar a largada”, ou seja, sair da área delimitada antes do boi, e ficou com o tempo de 13.3 segundos. O canadense Straws Milan foi o último a se apresentar e precisava apenas fazer um tempo menor que 13.3 segundos para garantir a vitória, mas ele precisava descer de seu cavalo em movimento sobre o pescoço de um boi e derruba-lo e apesar disso ser sua especialidade, não era uma tarefa fácil naquelas condições. Milan mora em uma pequena cidade a cerca de 20 km de Calgary e como destacou um jornalista local: metade da população de sua cidade deve estar aqui nas arquibancadas. O competidor que jogava Hóquei na adolescência e que decidiu abandonar o esporte mais popular do pais para se dedicar a vida das arenas, completa 25 anos na próxima semana e manteve a concentração, terminando a prova em 3.6 segundos, garantindo a vitória e segundo ele, realizando seu grande sonho profissional.

LAÇO DO BEZERRO

Sete dos 12 competidores que entraram na arena no sábado perderam a laçada, incluindo Trevor Brazile e Cody Ohl, dois dos principais nomes da modalidade e favoritos ao título de Calgary neste ano. Dos cinco que cumpriram a prova, Matt Shiozawa, atual Campeão de Calgary fez o melhor tempo, 6.7 segundos, e juntamente com Stran Smith que laçou em 7.0 segundos, garantiu a vaga nas semi-finais. No domingo, o melhor tempo do Round 10 foi do estreante Clif Cooper, que garantiu sua vaga na Final com 7.7 segundos. Tuf, o irmão caçula de Clif também garantiu vaga entre os quatro finalistas, juntamente com Shane Hanchey e Stran Smith.

Na rodada Final, Stran Smith, que é tio dos irmãos Cooper, foi penalizado por uma quebra de barreira e terminou com o tempo de 17.8 segundos. Na seqüência veio Tuf Cooper, principal favorito ao título depois que Trevor Brazile ficou pelo caminho. Atual Campeão Canadense, Tuf fez o melhor tempo dos 10 dias de rodeio, 6.3 segundos e colocou toda a pressão sobre os dois últimos que faltavam para se apresentar. Para não faltar emoção, Shane Hanchey demorou para amarrar o bezerro e marcou 10.3 segundos, deixando o título nas mãos dos Cooper’s. Então veio Clif Cooper, sabendo que se fizesse uma boa laçada ganharia o maior título de sua carreira e espantaria o fantasma de ser o menos talentoso dos três irmãos, ou se não fosse bem, deixaria nas mãos de seu irmão, principal revelação da modalidade nos últimos 10 anos. Clif terminou a prova em 8.6 segundos e a vitória ficou com o favorito. Tuf Cooper tem apenas 21 anos e três Finais Mundiais pela PRCA, com essa vitória ultrapassa a marca de US$ 700 mil em quatro temporadas como profissional. Seu pai, Roy Cooper, é um dos maiores nomes da história da modalidade com oito Títulos Mundiais e ganhou uma estátua em bronze por ser tetra-campeão em Calgary. Tufdeclarou que já viu aquela estátua um milhão de vezes desde que nasceu, e que agora vai colocar seu troféu ao lado dela.

Tuf Cooper comemorando a vitória na arena

Chad Ferley Campeão de Sela Americana

SELA AMERICANA

A tarde de sábado, trouxe grandes animais para a arena mas a peãozada tava imbatível e não caiu de nada. Apenas 1.5 pontos separou os cinco melhores do Round 9, que foi vencido por Bradley Harter com 84.50 pontos no cavalo Big Muddy. O outro classificado foi o canadense Justin Berg com 84 pontos sobre Eclypce. No Round 10, disputado no domingo, antecedendo a Final, novamente show de “roseta”. Todos obtiveram nota e a vitória foi do canadense Luke Butterfield que montou o cavalo Free Agent e marcou 89 pontos. Chad Ferley com 88.50 pontos, Bradley Harter e Jesse Wright com 87.50 pontos cada, foram os outros classificados para a grande Final em busca dos US$ 100 mil. O principal favorito Cody Wright fez apenas a sexta melhor nota, e deu adeus as chances de conquistar o tri-campeonato no Calgary Stampede.

Pra quem é fã da modalidade mais antiga do rodeio, a Final do Calgary Stampede foi um “prato cheio”. Jesse Wright, a grande revelação da modalidade nos últimos anos montou o cavalo Pedro e marcou 89 pontos, mantendo as chances de título. Na seqüência, Bradley Harter que veio da repescagem fez uma montaria um pouco mais modesta e obteve apenas 86 pontos no cavalo Lynx Mountain. O terceiro a montar foi o Campeão Mundial de 2006, Chad Ferley, que fez uma montaria que vale a pena ser vista e re-vista por anos, obtendo 92.50 pontos no cavalo Get Smart. O prata-da-casa Luke Butterfield tinha o apoio em massa da torcida canadense mas tinha também um difícil desafio, o de superar a nota anterior. Luke, que já havia sido Campeão no evento, na categoria Junior, para competidores de até 20 anos, encerrou a montaria em cavalos montando Spring Planting e marcou a maior nota de sua carreira, 90 pontos, mas não o suficiente para faturar o título e o cheque. Chad Ferleyaos 31 anos, conquista o título de Calgary pela primeira vez e ultrapassa os US$ 750 mil na carreira. O competidor que tem uma filha recém-nascida de oito semanas, brincou na entrevista após a vitória que iria comprar muitas fraudas agora.

O Campeão comemorando a vitória de depois recebendo o prêmio

Sydni Blanchard durante as classificatórias

TRÊS TAMBORES

Das doze competidoras que voltaram a arena para disputar a repescagem, apenas quatro marcou tempo baixo dos 18 segundos. A canadense Lauren Byrne com 17.47 segundos e a americana Nellie Williams com 17.58 segundos foram as duas classificadas e que ainda mantiveram chances de vitória no dia seguinte. A semi-final tinha tudo pra ser o tira-teima entre as duas principais favoritas Brittany Pozzi e Lindsay Sears e a novata que surpreendeu a todos durante a semana, Sydni Blanchard. A competidora venceu os quatro Rounds da primeira fase, mas muita gente podia questionar que ela caiu em uma “turma” mais fácil, sem concorrentes do nível das campeãs mundiais, “Britt” e “Lins”. A texana Brittany Pozzi fez apenas o quinto melhor tempo, 17.87 segundos, e ficou pelo caminho na busca por sua primeira vitória no Maior Rodeio do Mundo. Lindsay, fez o quarto melhor tempo, 17.68 segundos e foi a única canadense a se classificar para a Final. Sue Smith com o tempo de 17.46 segundos e Tammy Fischer com 17.64 segundos também se classificaram. Sydni Blanchard encerrou a semi-final vencendo mais um Round, se posicionando como a maior favorita ao título, com 17.34 segundos.

A grande Final manteve a escrita do que já havia acontecido nas outras modalidades: emoção! Sydni tinha uma difícil missão pela frente, e aos 22 anos ela iria enfrentar competidoras com muito mais experiência. Lindsay Sears abriu a serie. Com um Título Mundial e um Título em Calgary, a canadense de 30 anos fez uma corrida de 17.26 segundos e deu um importante passo rumo ao bi-campeonato. Tammy Fischer, experiente competidora de 42 anos, com títulos em Calgary, Houston e Reno foi a segunda a sair na final, mas marcou apenas 17.63 e deu adeus ao título. Na seqüência veio Sue Smith, de 56 anos e mais de 18 anos de carreira profissional, mas também não superou “Lins”, fechando a corrida com o tempo de 17.49 segundos. Então veio a favorita, Sydni, mas ela sabia que tudo que tinha feito até ali não valia de nada, pois não eram consideradas as médias e ela tinha a obrigação de fazer uma corrida sem derrubar nenhum tambor e ainda baixar o tempo de Sears. E foi o que ela fez. Com uma passagem impecável, Blanchard fechou com 17.21 segundos conquistando o mais importante título de sua carreira. A cowgirl de Albuquerque no Novo México, compete com ShotGun, seu cavalo de nove anos e foi Campeã Universitária em 2010 e também participou de sua primeira Final Mundial, terminando em nono lugar no ranking geral.

A Campeã dos Três Tambores em Calgary 2011

Shane Proctor na Final do Calgary Stampede 2011

MONTARIA EM TOUROS

Apenas 10 competidores voltaram a arena para disputar a repescagem e apenas três deles conseguiram suportar os oito segundos em seus touros. Mike Lee montando Jackson James e o canadense Tyler Thomsom montando White Knight empataram com a melhor nota da tarde, 83.50 pontos e se classificaram para a semi-final. Ryan McConnel foi o outro único competidor a obter nota, 82.50 pontos. No domingo, os olhos do mundo se voltaram para a arena de Calgary, pois 10 dos melhores competidores da montaria em touros do mundo estavam na disputa de quatro vagas para a grande Final. Wesley Silcox, J.B. Mauney, Austin Meier, Douglas Duncan e o canadense Aaron Roy não conseguiram obter nota e ficaram fora da disputa pelos US$ 100 mil. O Campeão Mundial da PRCA Dustin Elliott conseguiu parar e tirar a invencibilidade do touro Mickey Marshal, descendente de Yellow Jacket, mas fez apenas a quinta melhor nota, e não se classificou. A melhor nota do Round foi de Corey Navare que montou Wranglers Crackalakin e fez 91.50 pontos. O segundo melhor foi Shane Proctor que marcou 88 pontos em Even Money. Os outros dois classificados foram Tyler Thomsom e Mike Lee com 85 pontos e 84.50 pontos, respectivamente.

Mike Lee deu inicio a Final montando Skippy’s Fine Line e ficou muito perto do titulo depois de obter 89.50 pontos. A segunda montaria foi do Campeão Canadense de 2008, Tyler Thomsom. Único a representar o Canadá na Final em Touros, Thomsom caiu de Slash, touro que não é montado com sucesso desde dezembro de 2009. Shane Proctor montou Bombs Away e marcou 91 pontos, sendo o primeiro a completar os oito segundos no lombo do animal, que estava invicto em sete montarias na carreira. A bela montaria colocou um dos melhores competidores da atualidade bem perto de sua maior conquista, mas ainda faltava Corey Navare. Aos 34 anos, Navare encerrou a edição 2011 do Calgary Stampede com a experiência de oito Finais Mundiais da PBR e quatro da PRCA, mas seu comprovado talento não foi suficiente para permanecer os oito segundos sobre o touro Japetto e a vitória ficou mesmo com Proctor.

Shane Proctor comemorando a vitória

Shane Proctor era sem dúvida um dos favoritos a vitória, mas o que chama a atenção é que ele não estava na primeira lista de convidados feita pela organização do evento. Habitualmente eles escolhem os competidores de cada modalidade com base nos resultados da temporada anterior, e como Proctor não brilhou nem na PBR nem na PRCA em 2010, só foi convidado depois da desistência de um competidor, a dois meses atrás, por ser líder absoluto do Mundial da PRCA. Depois que fez suas quatro montarias na fase de ‘turmas’ do evento, ele retornou aos Estados Unidos durante a semana onde participou de quatro Rodeios nos estados do Colorado e Wyoming, ganhando US$ 909, já que nesses eventos o competidor só precisa competir em um Round. Proctor retornou a Calgary no domingo de madrugada, depois de viajar quase 1000 km e competir durante nove dias seguidos. O competidor de 26 anos começou a competir na PBR em 2006, época em que ainda trabalhava durante a semana numa madeireira para poder pagar as despesas com viagens e inscrições nos eventos. Na entrevista que deu após a vitória em Calgary, Proctor disse que a primeira coisa que queria fazer era ligar pra sua esposa Jessi, na Carolina do Norte, pois muitas vezes não tinha dinheiro nem pra dar um simples telefonema quando estava viajando. “Agora eu posso pagar por isso”, encerrou o competidor. Shane Proctor totalizou agora cerca de US$ 800 mil, sendo US$ 270 mil somente nesta temporada.

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Informação

Publicado em 20 de julho de 2011 por em Canadá, Internacional.
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